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Fiquem a vontade para navegar no meu blog, temos aqui a finalidade é discutir questões relacionadas a Educação, Tecnologia, Religião, Política, Sociedade, Historia, Prática Pedagógica, Pedagogia Empresarial etc. Bem como manter o público atualizado sobre os eventos (cursos,seminários,congressos, amostras culturais etc) que acontecem na área de Educação e/ou tecnologia.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O PEDAGOGO EMPRESARIAL ATUANDO EM ESPAÇOS NÃO ESCOLARES

Pedagogia


Desde sempre, o pedagogo tem se caracterizado como o profissional responsável pela docência e especialidades na educação, tais como: Direção, Coordenação e Supervisão, entre outras atividades específicas da escola. Dificilmente, encontra-se o profissional da educação desvinculado da escola propriamente dita e inserido em outras atividades, como empresas, mesmo que este trabalho refira-se à educação. Hoje o curso de Pedagogia passa por um processo de reestruturação com propostas divergentes de diretrizes curriculares, considerando as mudanças ocorridas no processo produtivo, faz-se importante contemplar a possibilidade de atuação desses profissionais em outros setores do trabalho. Essas transformações estão nos levando a um novo modelo, a um novo paradigma de organização da economia e da sociedade: uma economia do saber. Ficamos diante da famosa e complicada sociedade do conhecimento, na qual o recurso controlador não é mais o capital, a terra ou a mão-de-obra, mas, sim, a capacidade e experiências dos indivíduos. Qualificar profissionais para atuarem no âmbito empresarial, visando os processos de planejamento, capacitação, treinamento, atualização e desenvolvimento do corpo funcional da empresa é o foco da Pedagogia Empresarial. O reflexo mutatório na escola deixa claro a exigência urgente do mercado de trabalho que não abriga mais o trabalhador mecanizado, mero executor de tarefas, personificado na figura robotizada do personagem do filme Tempos Modernos de Charles Chaplin. O ambiente organizacional contemporâneo solicita o trabalhador pensante, criativo, pró-ativo, analítico, com habilidade para resolução de problemas e tomada de decisões, capacidade de trabalho em equipe e em total contato com a rapidez de transformação e a flexibilização dos tempos atuais. Surgem assim os questionamentos: como conseguir isso? Como conseguir desenvolver competências nos alunos das escolas atuais? Como contribuir para a construção de colaboradores autônomos, e com espírito de aprendizes? Como manter as organizações atualizadas a meio a tantas mudanças? Como transformar o ambiente de trabalho em um ambiente de aprendizagem permanente? Neste contexto de tantas indagações, é que aparece a figura do Pedagogo Empresarial. Cada vez mais as empresas descobrem a importância da educação no trabalho e começam a desvendar a influência da ação educativa do Pedagogo na empresa. Sendo assim, a pedagogia conta com o Pedagogo Empresarial dentro da empresa, visando sempre melhorar a qualidade de prestação de serviços. Atualmente, a empresa começa abrir espaço para que este profissional possa, de maneira consciente e competente, solucionar problemas, elaborar projetos, formular hipóteses, visando à melhoria dos processos instituídos na empresa, garantindo a qualidade do atendimento, contribuindo para instalação da cultura institucional da formação continuada dos empregados. O Pedagogo na empresa produz e difunde o conhecimento, exercendo o seu papel de educador. A maneira de atuar na empresa deve buscar modificar o comportamento dos trabalhadores de modo que estes melhorem tanto suas qualidades no desempenho pessoal e profissional. A atuação do Pedagogo Empresarial esta aberta. É ampla e extrapola a aplicação de técnicas visando estabelecer políticas educacionais no contexto escolar. Avança sobre as pessoas que fazem as instituições e empresas de todos os tipos, portes e áreas, tais como: indústrias, construção civil, órgãos municipais, estaduais e federais, escolas, hotéis, ONGs, instituições de capacitação profissional e assessorias de empresas. O Pedagogo Empresarial tem o domínio de conhecimentos, técnicas e práticas que, somadas à experiência dos profissionais de outras áreas, constituem instrumentos importantes para atuação na gestão de pessoas: coordenando equipe multidisciplinares no desenvolvimento de projetos; evidenciando formas educacionais para aprendizagem organizacional significativa e sustentável; gerando mudanças culturais no ambiente de trabalho; na definição de políticas voltadas ao desenvolvimento humano permanente; prestando consultoria interna relacionada ao treinamento e desenvolvimento das pessoas nas organizações. O desafio desse novo profissional, diferentemente do que podem pensar alguns, não se resume a conduzir dinâmicas de grupo e preparar material de treinamento para o qual as pessoas não estão engajadas ou enxergando uma necessidade imediata. Isto requer muito trabalho. É preciso estudo e observações cuidadosas do que está acontecendo dentro da empresa e entender o seu ecossistema, como ele funciona e por que existe um desequilíbrio dentro dele. Tal diagnóstico requer do Pedagogo Empresarial perspicácia, observação, envolvimento, desprendimento, coragem, preparo técnico, ousadia, vontade, criatividade e desejo efetivo pela descoberta dos pontos de desequilíbrio dentro da corporação. Uma questão importante para a formação e a atuação do Pedagogo Empresarial diz respeito ao entendimento dos comportamentos humanos no contexto organizacional, tendo em vista que toda sua atuação está pautada na dimensão humana. As políticas de Recursos Humanos, por si só, não garantem mudanças ou comprometimentos mais ou menos efetivos; tem no elemento humano o seu ponto-chave. A maneira de agir desse novo profissional precisa ocorrer de forma relacionada e cooperativa com a dos outros profissionais de gestão. Assim será possível elaborar e consolidar planos, projetos e ações que visem colaborar para a melhoria da atuação dos funcionários, bem como melhorar o desempenho da empresa. Grandes empresas no Brasil já contam com Pedagogos Empresariais para facilitar o desenvolvimento de pessoas mais produtivas e satisfeitas com o ambiente de trabalho, fatores que garantem à Empresa o enriquecimento do patrimônio intelectual, redução de custos com rotatividade, absenteísmo, eficiência nos produtos e serviços, maior competitividade organizacional e melhoria da imagem da Empresa.

Fonte: http://www.administradores.com.br/artigos/o_pedagogo_empresarial_atuando_em_espacos_nao_escolares/14164/ (Por: Suzana Nobre: Especialista em Pedagogia Empresarial Estratégica - universidade Potiguar - UnP - Natal / RN)


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Dia da Consciência Negra" uma luta pela memória histórica


 
Sociedade



Preservar a memória é uma das formas de construir a história. É pela disputa dessa memória, dessa história, que nos últimos 32 anos se comemora no dia 20 de novembro, o "Dia Nacional da Consciência Negra". Nessa data, em 1695, foi assassinado Zumbi, um dos últimos líderes do Quilombo dos Palmares, que se transformou em um grande ícone da resistência negra ao escravismo e da luta pela liberdade. Para o historiador Flávio Gomes, do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a escolha do 20 de novembro foi muito mais do que uma simples oposição ao 13 de maio: "os movimentos sociais escolheram essa data para mostrar o quanto o país está marcado por diferenças e discriminações raciais. Foi também uma luta pela visibilidade do problema. Isso não é pouca coisa, pois o tema do racismo sempre foi negado, dentro e fora do Brasil. Como se não existisse".
O 20 de novembro trata da data do assassinato de Zumbi, em 1665, o mais importante líder dos quilombos de Palmares, que representou a maior e mais importante comunidade de escravos fugidos nas Américas, com uma população estimada de mais 30 mil. Em várias sociedades escravistas nas Américas existiram fugas de escravos e formação de comunidades como os quilombos. Na Venezuela, foram chamados de cumbes, na Colômbia de palanques e de marrons nos EUA e Caribe. Palmares durou cerca de 140 anos: as primeiras evidências de Palmares são de 1585 e há informações de escravos fugidos na Serra da Barriga até 1740, ou seja bem depois do assassinato de Zumbi. Embora tenham existido tentativas de tratados de paz os acordos fracassaram e prevaleceu o furor destruidor do poder colonial contra Palmares.
Há 32 anos, o poeta gaúcho Oliveira Silveira sugeria ao seu grupo que o 20 de novembro fosse comemorado como o "Dia Nacional da Consciência Negra", pois era mais significativo para a comunidade negra brasileira do que o 13 de maio. "Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão", assim definia Silveira o "Dia da Abolição da Escravatura" em um de seus poemas. Em 1971 o 20 de novembro foi celebrado pela primeira vez. A idéia se espalhou por outros movimentos sociais de luta contra a discriminação racial e, no final dos anos 1970, já aparecia como proposta nacional do Movimento Negro Unificado.
A diversidade de formas de celebração do 20 de novembro permite ter uma dimensão de como essa data tem propiciado congregar os mais diferentes grupos sociais. "Os adeptos das diferentes religiões manifestam-se segundo a leitura de sua cultura, para dali tirar elementos de rejeição à situação em que se encontra grande parte da população afro-descendente. Os acadêmicos e os militantes celebram através dos instrumentos clássicos de divulgação de idéias: simpósios, palestras, congressos e encontros; ou ainda a partir de feiras de artesanatos, livros, ou outras modalidades de expressão cultural.
Para a socióloga Antonia Garcia, doutoranda do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é importante que se conquiste o "Dia Nacional da Consciência Negra" "como o dia nacional de todos os brasileiros e brasileiras que lutam por uma sociedade de fato democrática, igualitária, unindo toda a classe trabalhadora num projeto de nação que contemple a diversidade engendrada no nosso processo histórico".
Diferente do 20 de novembro o 13 de maio perdeu força em nossa sociedade devido a memória histórica vencedora: a que atribuiu a abolição à atitude exclusiva da princesa Isabel, aparentemente paternalista e generosa Isabel, analisa o historiador Flávio Gomes. Pesquisas recentes têm recuperado a atuação de escravos, libertos, intelectuais e jornalistas negros e mestiços para o 13 de maio, mostrando como este não se resumiu a um decreto, uma lei ou uma dádiva. Esses estudos também têm resgatado o significado da data para milhares de escravos e descendentes, que festejaram na ocasião.        
Devemos ter a ciência de que a importância em se comemorar esta data, não é para contrapor uma data a outra, ou ainda heróis brancos aos heróis negros, mas porque precisamos nos conscientizar de a história que está nessas datas, que traz elementos da nossa identidade". Só assim será possível contribuir para desmistificar toda a construção ideológica produzida sobre o povo negro.
É preciso entender que a desigualdade no Brasil tem cor, nome e história. Esse não é um problema dos negros no Brasil, mas sim um problema do Brasil, que é de negros, brancos e outros mais.



terça-feira, 10 de novembro de 2009

Quando o Conforto escraviza

Sociedade 
 
 
 
“Os iguais formam guetos”. (Provérbio latino)

O conforto se tornou uma espécie de deus da sociedade do consumo. Obviamente, não vivemos sem algumas doses de conforto. Seria anormal afirmar o contrário. Entretanto, há uma dimensão preocupante desses tempos: o conforto que escraviza. Quando esse tipo de situação acontece, estamos condenados a saciar uma fome que nunca acaba.

Guimarães Rosa dizia: “o animal satisfeito dorme”. A satisfação (entendida nesse contexto como conforto paralisante) carrega consigo os germes da escravidão. A mistura dessas “substâncias” é feita assim: a tirania absurda dos desejos, aliada aos apelos constantes, insistentes e manipuladores dos apóstolos do marketing, gera uma estranha obsessão por um “status quo” enganoso, uma espécie de malandragem existencial. Buscamos no conforto o que ele não pode produzir: paz! Engana-se muito aquele que acredita haver paz no conforto.

Não é por acaso que, uma das mais conflitantes sensações da experiência humana seja o tédio. A posse sem desejo. Essa sensação é visita constante dos que moram nos palácios. Parece até uma forma de ironia/compensação cósmica: quanto mais estrelas você alcançar, mais tédio sentirá. A chamada “sabedoria popular” trata esse “fenômeno” como “gente que tem tudo, mas não tem nada”. O gosto amargo da decepção. Giordano Bruno disse: “todas as coisas são feitas de contrários, razão pela qual não podemos experimentar nenhum prazer que não seja mesclado de amargura”. Bendito seja o tédio!

Algumas das pessoas mais amarguradas que conheço são as que vivem em função da manutenção de suas zonas de conforto. Jung chamou o vazio e a falta de sentido de “neurose geral moderna”. Gente que trabalha noite e dia no afã de possuir tesouros, mas não usufrui deles. Não experimenta a alegria de ver o crescimento dos filhos. Gente que não sabe o que é desfrutar o prazer de uma caminhada pelo parque. Gente que não vive, tenta sobreviver. Tudo em nome desse tal “bem estar”, ou “realização financeira”, ou ainda, “conforto”. Leões enjaulados. Crianças impedidas de brincar.

A constante exposição da mídia de uma espécie de “padrão perfeito de ser”, acaba gerando uma corrida em busca de adequação a esse “estilo de vida”. São os encarcerados pela epidemia midiática, a nova forma de escravidão. É aqui que se forma o gueto dos semideuses. À margem disso, uma gente tida por louca segue tentando driblar o caos proposto. Gente que acredita na vida, na arte, que não dispensa um fim de tarde, come chocolate lambuzando os dedos, insiste em se elevar para além dos muros da mediocridade. Gente que não fabrica sorrisos.

Devemos lutar por conforto, mas não podemos nos vender a ele. Sejamos senhores do conforto, ou, então, seremos seus escravos. Não é só uma questão de escolha, mas de sobrevivência. Não podemos amordaçar a alma em favor das “delícias” recheadas de cicuta, que a satisfação propõe.

Que o nosso conforto seja honesto. Que ele não ameace o mundo. Que não colabore com a destruição do planeta, tornando cinza a nossa Casa Azul.

Que o nosso caminho histórico seja pleno das realizações humanas, para que, confortavelmente, possamos dizer: “deixamos marcas não somente porque produzimos muito, mas também porque nos recusamos a destruir a vida”.

“A virtude de um homem é o que o faz humano”. (Aristóteles) 
 
Por.: Alan Brizotti (Fonte: http://www.genizahvirtual.com/2009/11/quando-o-conforto-escraviza.html)